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José Godoy e Solano Benítez discutem arquitetura na Flip – 24/07/2026 – Ilustrada

by redacao
julho 25, 2026
in Últimas Notícias
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José Godoy e Solano Benítez discutem arquitetura na Flip – 24/07/2026 – Ilustrada
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A arquitetura é marcada por uma ambiguidade. Se por um lado pode libertar e trazer bem-estar, por outro pode provocar dor e confinamento. Essa dualidade esteve no centro de uma mesa que reuniu o escritor José Godoy e o arquiteto paraguaio Solano Benítez na Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, nesta sexta-feira (24).

Com mediação da jornalista e escritora Francesca Angiolillo, o encontro discutiu como os espaços podem ser usados para acolher ou para oprimir. Godoy ficou responsável por discorrer sobre o potencial destrutivo de territórios e construções.

Em junho desse ano, ele lançou o livro “A Ilha do Silêncio: Terror e Genocídio na Terra do Fogo”. Por meio de uma mistura de ensaio e reportagem, o volume narra os horrores que aconteciam na ilha Dawson, no meio do estreito de Magalhães. Esse pedaço de terra foi palco de dois episódios brutais de violação de direitos.

No fim do século 19, o Estado chileno converteu a ilha numa prisão para indígenas selk’nam e kawésqar.

Situação parecida aconteceu nos anos 1970, quando o regime de Augusto Pinochet criou por lá um campo de concentração para encarcerar membros do governo Salvador Allende, derrubado por militares golpistas fiéis a Pinochet. No livro, Godoy esmiúça como aquele território se transformou em instrumento de sofrimento.

O crítico literário decidiu escrever sobre a ilha por considerar que a história do território faz parte de uma violência comum a nações latino-americanas.

“O trauma colonial é um trauma que se espalha no continente inteiro. É um trauma que a gente repete muito como uma ferida que não cessa.”

Para ele, o nosso passado colonial nos conecta a outros países dominados. “Quando a gente está falando dessas questões, de por que falar sobre o Chile, é por que eu estou falando de mim mesmo. Eu estou falando de todos nós.”

Um dos personagens mais importantes do livro é Miguel Lawner, arquiteto e militante comunista preso na ilha. Após ser libertado, ele reformou um centro de tortura chileno, de modo a torná-lo um espaço de memória sobre as violências da ditadura.

Para Godoy, um dos aspectos mais interessantes da reforma foi a decisão de manter uma escada pela qual os detentos eram conduzidos até chegar aos porões. Como eles eram vedados e os degraus tinham padrões irregulares, a maioria caía escada abaixo durante a descida.

“O primeiro momento de tortura era na chegada”, diz Godoy. “A partir do momento que você descia aqueles degraus, você começava a entrar num outro regime, num regime que o próprio Estado, no qual você faz parte, vai te tratar de uma forma totalmente diferente de como ele te trataria normalmente.”

Enquanto Godoy discutiu os aspectos sombrios da arquitetura, Benítez analisou os elementos mais solares dessa área. Laureado com o Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza em 2016, o paraguaio é um dos nomes mais influentes de seu ofício. Não à toa, foi escolhido para projetar a sede brasileira do museu Centro Pompidou, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Para Benítez, a arquitetura pode ser um instrumento pelo qual o ser humano consegue melhorar as suas condições. “Tudo que nós tentamos fazer é viver uma vida extraordinária, conscientes da finitude de nossa existência. Nós tentamos amparar tudo aquilo que seja bom para nós.” Para exemplificar esse desejo atávico por progresso, ele cita a cosmogonia do povo indígena guarani. “Eles andavam pelo território buscando uma terra sem mal.”



Fonte:

redacao

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